quinta-feira, 23 de abril de 2026

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Por: ISTOÉ Gente

O ator Juliano Cazarré lança em São Paulo o curso presencial “O Farol e a Forja”, descrito como o “maior encontro de homens do Brasil”. A iniciativa, marcada para os dias 24, 25 e 26 de julho, no entanto, gerou forte reação de colegas de profissão. Atrizes como Marjorie Estiano e Claudia Abreu questionam o teor do discurso sobre masculinidade e apontam o reforço de estruturas machistas.

O que aconteceu

  • O ator Juliano Cazarré lança em São Paulo o curso presencial “O Farol e a Forja”, evento voltado para homens com temas como liderança, paternidade e espiritualidade cristã.
  • Atrizes como Marjorie Estiano e Claudia Abreu criticam a iniciativa, alegando que o discurso de “enfraquecimento masculino” ignora a violência contra a mulher e pode reforçar o machismo.
  • A controvérsia envolve embates ideológicos e religiosos, com algumas artistas questionando o uso da fé para justificar os conceitos abordados pelo curso.

“Ele sabia que ia apanhar. E criou o evento mesmo assim”, disse Juliano Cazarré ao anunciar seu novo projeto. Com o lema “o mundo precisa de homens que assumam seu papel”, o evento propõe uma imersão em temas centrais para a figura masculina.

Qual a estrutura e o que o curso propõe aos homens?

O cronograma de “O Farol e a Forja” é dividido em três pilares. O primeiro dia foca na vida profissional e legado, buscando orientar os participantes em suas carreiras e impacto social. O segundo aborda a vida pessoal, incluindo saúde masculina e dieta, enfatizando o bem-estar individual.

O encerramento é dedicado à “vida interior”, com foco em masculinidade e cristianismo. Tópicos como vida de oração e a celebração da Santa Missa são previstos, reforçando o pilar espiritual do encontro. Segundo a divulgação do projeto, o curso pretende ajudar o homem a entender “o que está acontecendo consigo e com os homens ao seu redor”, em uma crítica direta ao que o ator classifica como uma sociedade que desampara a figura masculina.

Críticas: “um discurso que mata mulheres”?

A reação das colegas de profissão foi imediata e incisiva. Marjorie Estiano, em uma postagem direta a Juliano Cazarré, criticou: “Juliano… você não criou… você só está reproduzindo um discurso que já é ampla e profundamente difundido, enraizado e que mata mulheres todos os dias”. A atriz pediu que o ator reavaliasse a iniciativa, destacando a gravidade das implicações do debate proposto.

Claudia Abreu também se manifestou na publicação, sublinhando o cenário de violência de gênero no Brasil: “Num país com recorde de feminicídios…”, escreveu, apontando a irresponsabilidade de narrativas que possam minimizar o problema ou desviar o foco de suas causas estruturais.

Reprodução/Redes Sociais

Reprodução/Redes Sociais

Confronto ideológico e religioso

O teor das críticas também englobou interpretações religiosas, com questionamentos sobre o uso da fé. Guta Stresser endossou as palavras de Elisa Lucinda, pedindo que o nome de Cristo não fosse utilizado para justificar o que chamou de “ruindade”.

Julia Lemmertz e Betty Gofman, por sua vez, manifestaram incompreensão e preocupação com o impacto social do curso. Elas indicaram que a proposta de Cazarré pode, inadvertidamente, contribuir para a perpetuação de visões problemáticas sobre os papéis de gênero.

Até o momento, Juliano Cazarré não rebateu individualmente os comentários das atrizes, mantendo silêncio sobre as reações de seus pares no meio artístico.

Reprodução/Redes Sociais

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