sexta-feira, 21 de agosto de 2026

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Reprodução

Por Jardes Johnson, Renato Silva, g1MT e TV Centro América

A policial penal Jorcenilma Franca Viegas foi indiciada por tentativa de homicídio qualificado por recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima após atirar contra o motociclista Carlos Filipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, em Cuiabá. O indiciamento ocorreu nesta sexta-feira (21), após a Polícia Civil concluir o inquérito.

Jorcenilma está presa preventivamente desde 5 de agosto e permanece afastada da função. O g1 entrou em contato com a defesa dela, representada pelo advogado Márcio de Deus, que informou que não irá se manifestar sobre o caso.

Carlos Filipe foi baleado no dia 22 de julho, no bairro CPA 4. Câmeras de segurança registraram a abordagem e mostram mais de dez disparos durante a ação. As imagens foram consideradas pela investigação e contrariaram pontos da versão apresentada inicialmente sobre o episódio.

Entenda o caso
Segundo a Polícia Civil, a prisão preventiva de Jorcenilma foi decretada após o avanço das investigações. Entre os elementos analisados estão as imagens de câmeras de segurança, que não confirmaram a versão inicial de que Carlos teria reagido à abordagem e tentado tomar a arma da policial.

No vídeo, o motociclista aparece chegando ao local, onde Jorcenilma e a filha dela o aguardavam. A policial se identifica e ordena que Carlos se deite no chão. Pouco depois, ela efetua os primeiros disparos.

As imagens mostram ainda Carlos tentando deixar o local com a moto enquanto os tiros continuam. Em seguida, ele tenta fugir empurrando a moto, mas cai. Mais de dez disparos são registrados pelas câmeras durante a ação.

Inicialmente, a ocorrência registrada pela Polícia Militar tratava o episódio como uma suposta extorsão. Conforme o relato inicial, Carlos teria encontrado um celular perdido pela filha da policial e exigido dinheiro para devolver o aparelho.

Durante a investigação, porém, as imagens analisadas pela Polícia Civil não corroboraram a informação de que o motociclista teria tentado tomar a arma de Jorcenilma, versão que constava no registro inicial da ocorrência.

Estado de saúde

Carlos Filipe Magalhães Fernandes foi baleado pela policial penal Jorcenilma Franca Viegas — Foto: Reprodução

Carlos Filipe Magalhães Fernandes foi baleado pela policial penal Jorcenilma Franca Viegas — Foto: Reprodução

Em entrevista à TV Centro América nesta sexta-feira (21), Carlos Filipe contou que ainda enfrenta sequelas dos tiros, mesmo após receber alta do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Segundo ele, os médicos disseram que o fato de ter sobrevivido foi um “milagre”.

“A minha vida parou. Estou tentando me adaptar a esse novo ritmo das coisas. Tenho muita dificuldade para falar, para comer, dormir, respirar. Estou fazendo um esforço muito grande agora para falar, que eu fico sem ar. É muito difícil para mim passar por essa situação”, relatou.

Antes dos disparos, Carlos disse que morava sozinho e tinha uma rotina independente. Agora, segundo ele, precisa da ajuda da família para realizar atividades do dia a dia.

“Uma pessoa que era completamente ativa, morava sozinho, fazia as minhas coisas sozinho e, agora, fica dependente, 100% dependente dos meus pais, dos meus irmãos e de quem possa me ajudar”, afirmou.

Ele também deu a próprversão sobre o que ocorreu no dia em que foi baleado. Ele afirmou que encontrou o celular em um banco e que pretendia apenas devolver o aparelho à policial penal.

“Eu só estiquei a mão, dei o telefone e ela colocou a arma em punho. Não me recordo o que foi falado porque tinha muita criança, muita gente na rua, estava um barulho muito grande. Ela disparou contra mim e eu me assustei. Tentei correr, mas em nenhum momento fui para cima dela”, contou.

Carlos disse se lembrar do momento em que foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, depois disso, apenas de quando acordou do coma.

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