quarta-feira, 18 de março de 2026

Marcos Salesse

Por Abder Khan*, g1 MT

A Prefeitura de Cuiabá anunciou, nessa terça-feira (17), que não irá mais demolir a fachada do imóvel histórico localizado na Rua 7 de Setembro, onde funcionou parte da antiga Gráfica do Pepe. A gestão municipal informou que assumirá a responsabilidade pela preservação da estrutura, considerada um patrimônio importante do Centro Histórico da capital.

Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras informou que a decisão atende à necessidade de preservar a memória e o patrimônio cultural da cidade. A proposta inicial previa uma demolição controlada, seguindo orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, a equipe técnica encontrou uma alternativa para manter a fachada em pé, mesmo diante do risco de colapso.

O secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, José Afonso Botura Portocarrero, alertou para a urgência da intervenção, principalmente em razão das chuvas intensas, que podem agravar os danos à estrutura. Segundo ele, trata-se de uma ação delicada, que exige precisão técnica para garantir a segurança sem comprometer o que resta do imóvel.

A prefeitura também informou que a placa da Praça da Mandioca, recolocada recentemente por um morador da região, será retirada e encaminhada ao Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (Misc).

Segundo a Superintendente do Iphan, Ana Joaquina da Cruz Oliveira, o instituto está atuando no apoio técnico institucional e que foi enviado um profissional que verificou a possibilidade de fazer uma medida de escoramento.

“Existe viabilidade técnica, mas a proposta ainda será enviada para avaliação. No entanto, por se tratar de uma emergência, a obra terá início o quanto antes. O papel do Iphan não é analisar a intervenção em si, mas atuar com celeridade diante de uma situação de risco”, disse.

Neste mês de março, por determinação judicial, a Prefeitura de Cuiabá foi notificada a demolir a fachada da antiga Gráfica Pepe, após vistorias técnicas apontarem risco iminente de desabamento.

O casarão, construído no século XIX e considerado a primeira gráfica e papelaria da cidade, tem grande importância histórica e cultural. No entanto, hoje, resta apenas a fachada, que se tornou símbolo da memória do Centro Histórico.

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