20 de fevereiro de 2026
Morando nos EUA, Wagner Moura diz ter medo de agentes de imigração do ICE
Por: Portal Leo Dias, Guilherme Giagio
O ator Wagner Moura voltou a criticar a política anti-imigração liderada por Donald Trump nos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal El País nesta quinta-feira (19/2), o brasileiro afirmou temer agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). O artista reside no país norte-americano desde 2017.
Ele destacou que as ações de autoridades contra imigrantes é motivo de preocupação: “Estamos atravessando um momento muito feio. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, disse.
De acordo com Wagner Moura, o atual momento dos EUA é similar ao que o Brasil atravessou nos últimos anos: “Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades”.
“A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”, continuou o ator, no bate-papo para divulgação do filme “O Agente Secreto”, que recebeu quatro indicações ao Oscar.
Wagner ainda ressaltou o impacto das redes sociais nesse processo. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”.