terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Polícia Federal

Por: G1 MT

Duas pessoas suspeitas de vender combustível para abastecer garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé foram presas durante uma operação da Polícia Federal, cumprida em Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Aripuanã, nesta terça-feira (24). Além disso, outro investigado é alvo da operação, mas ele está foragido.

Além das prisões preventivas, os policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão nas casas dos investigados. As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Cáceres, a 220 km de Cuiabá.

Segundo a PF, o grupo é investigado por comercializar ilegalmente óleo diesel, combustível usado em máquinas de grande porte, que abasteceriam a atividade garimpeira clandestina dentro da terra indígena.

A investigação começou após fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com apoio da PF e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Em uma fazenda próxima a área de garimpo ilegal, foram apreendidos 15 mil litros de diesel e um reservatório com capacidade para 15 metros cúbicos.

De acordo com as investigações, o grupo teria adquirido mais de 4 milhões de litros de diesel em 21 meses. O material recolhido será analisado para identificar outros possíveis envolvidos.

Denúncia

Uma indígena da etnia Nambikwara Katitaurlu fez uma denúncia e relatou à TV Centro América que a presença do garimpo ilegal e chegada da facção criminosa Comando Vermelho nos últimos três anos trouxeram bebedeira e matança na Terra Indígena Sararé.

“Eu quero ficar em paz na aldeia. Tem um rapaz que vende drogas, bebidas. Ele trouxe para aldeia e vai matando o próprio indígena. Eu estou sempre lutando, quando eu ando sozinha eu falo que não pode ficar vendendo. Quando ele fica bêbado pode matar a própria esposa. Eu sempre falo que estou de olho, na saída da aldeia. Eu quero que acabe com tudo [com garimpo]”, contou.

Em outubro do ano passado, a filha do cacique Tainá Katitaurlu, de 37 anos, explicou ao g1 que o garimpo destrói a medicação natural ao desmatar a região, além de afastar e matar os animais nas florestas, que costumam ser caçados pelos indígenas para alimentarem a comunidade. Desde a chegada dos garimpeiros, o consumo de proteína animal caiu significativamente na aldeia.

Por ser próxima da fronteira com a Bolívia, a região se tornou uma das rotas mais usadas para o tráfico de drogas, segundo a Polícia CiviI. A partir de 2022, grupos criminosos se infiltraram na região e, em 2024, entraram no garimpo, sendo que parte deles são investigados pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Além disso, o governo tem até março deste ano para apresentar um plano de ação para expulsar completamente os invasores do território.

Paralelo a isso, uma operação integrada entre as forças de segurança foi deflagrada em 1º de agosto do ano passado e já destruiu 150 escavadeiras hidráulicas e causou prejuízo de mais de R$ 226 milhões ao garimpo ilegal na região, segundo o Ministério dos Povos Indígenas.

Sararé

Força-tarefa combate garimpeiros ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país — Foto: Reprodução JN

Força-tarefa combate garimpeiros ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país — Foto: Reprodução JN

A Terra Indígena Sararé liderou, em 2024, o ranking das terras indígenas mais desmatadas da Amazônia Legal. Entre 2021 e 2024, o desmatamento associado à área cresceu 729%. Os dados constam do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro de 2025, que analisou nove estados da região.

De acordo com o levantamento, o principal fator associado à devastação é a expansão do garimpo ilegal. O relatório identificou a presença de garimpos ativos dentro da TI Sararé, com o uso de escavadeiras hidráulicas, balsas e bombas de sucção. Dos 67 mil hectares, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.

Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé. Dos 67 mil hectares, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro. Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas que atuam dentro do território indígena, o que gera conflitos armados.

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