sexta-feira, 30 de outubro de 2026

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Por: Guilherme Giagio, Portal Leo Dias

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou, nesta quarta-feira (21/10), as alegações finais no processo do empresário e influenciador Renato Cariani. O órgão pediu a condenação pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. A pena máxima pode chegar a 51 anos e 8 meses de prisão.

De acordo com a denúncia, a empresa química Anidrol, localizada em Diadema (SP) e da qual o réu é sócio, comercializava solventes e reagentes controlados, como acetona, éter etílico, ácido clorídrico, fenacetina e manitol. O fisiculturista, conhecido no meio fitness, fazia parte do esquema de desvio desses insumos químicos para a produção de toneladas de drogas, como crack e cocaína.

O esquema consistia na emissão de notas fiscais falsas, simulando a venda legítima desses produtos químicos controlados para grandes empresas farmacêuticas multinacionais. De acordo com a PF, no entanto, os insumos eram desviados e entregues a uma rede de traficantes para serem utilizados no refino, na adulteração e no aumento do volume das substâncias ilegais. Tais crimes teriam ocorrido 59 vezes, segundo as investigações.

“As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era ‘utilizada para aumentar o rendimento da cocaína’”, diz o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo), que ainda denunciou a relação de Cariani com um agente da Polícia Civil a fim de dificultar as investigações.

Renato Cariani foi indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023, e a Justiça o tornou réu no processo em fevereiro de 2024. Além do influenciador, o MP-SP pede a condenação de Fábio Spindola Mota, apontado como intermediador no fornecimento das substâncias aos traficantes, e Rodrigo Gomes Pereira, que exerceria funções relacionadas à movimentação e à circulação de recursos ilícitos, pelos mesmos crimes.

Ao portal LeoDias, a defesa de Cariani afirmou “receber com naturalidade” o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público: “Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa”, inicia.

“O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes. Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, finaliza a defesa.

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