terça-feira, 16 de junho de 2026

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Por: Karol Gomes, Portal Leo Dias

Nattan comentou os impactos causados pelo documentário “Tempo Para Amar”, protagonizado por Rafa Kalimann, e refletiu sobre os desafios enfrentados pelo casal desde a chegada de Zuza, primeira filha dos dois. Em entrevista à Quem, o cantor falou abertamente sobre as dificuldades da adaptação à paternidade, reconheceu falhas em sua postura nos primeiros meses da bebê e afirmou que a produção retrata situações comuns à realidade de muitas famílias.

Ao abordar o projeto, o artista destacou que, embora a narrativa seja centrada na experiência de Rafaella, sua participação é inevitável por fazer parte da trajetória retratada. “O documentário é sobre a Rafaella, mas eu, por ser pai, estou ali o tempo inteiro ao redor dessa história. Ela quis mostrar para as pessoas o que 90% das famílias passam: uma maternidade real. Existe um momento em que a mulher se olha no espelho e não se reconhece. Existe um momento em que ela vai amamentar e pensa: ‘Meu Deus, será que é assim? Meu peito está doendo muito. Será que é desse jeito mesmo?’. Principalmente sendo mãe de primeira viagem”, aponta.

Nattan contou que também enfrentou um período de aprendizado intenso após o nascimento da filha. Segundo ele, a falta de referências paternas tornou o processo ainda mais desafiador. “Houve momentos em que eu estava aprendendo, estava perdido. E muitos pais passam por isso. Às vezes, essas histórias não são contadas. Eu não tive referência paterna, não tinha alguém para ligar e perguntar: ‘Pai, é assim mesmo?’. Não tive isso”, diz o cantor.
A ausência da figura paterna marcou sua trajetória. Criado pela mãe e pelo avô, ele só descobriu em 2021 que seu pai biológico sequer sabia que ele existia. Para o artista, as experiências difíceis que enfrentou ao longo da vida contribuíram para sua formação pessoal e emocional. “Tudo bem passar por algumas pedras no caminho. Você se torna uma pessoa melhor e dá mais um passo para frente. É assim que acontece com várias famílias. Existem vários desafios pelos quais você precisa passar para evoluir para uma próxima etapa. Os casais passam por isso. E a Rafa tentou mostrar tudo de uma maneira muito real”, aponta.

Durante a conversa, o cantor também rebateu interpretações feitas por parte do público sobre falas exibidas no documentário. Ele explicou que a sensação de solidão relatada por Rafaella não significava necessariamente ausência física, mas estava ligada ao contexto vivido pelo casal naquele período. “Às vezes, as pessoas distorcem um pouco o que ela quis dizer. Houve um momento em que ela falou que se sentia muito sozinha. Às vezes, mesmo eu estando em casa, ela ainda se sentia só. Eu precisava sair para fazer shows e, quando voltava, ainda estava muito conectado àquela rotina. Chegava cansado, dormia, e ela já estava ali dentro de casa”, explica.

A rotina intensa de apresentações, segundo Nattan, acabou dificultando uma convivência mais próxima nos primeiros meses após o nascimento de Zuza. “Imagina ela passar uma semana inteira em casa. Eu chegava [de shows] às oito da manhã, morto de cansaço, e precisava dormir. Depois acordava, passava um tempo com ela e, às vezes, tinha que viajar de novo. Ela estava falando desses momentos. E também de situações em que eu queria estar mais próximo, mas não conseguia entender o que ela estava tentando me dizer”, pontua.

Ao revisitar aquele período, o cantor admitiu que teria tomado atitudes diferentes para apoiar a companheira. “Eu também fui ao documentário para dizer: ‘Gente, eu passei por isso aqui. Sei que hoje não é mais assim’. Estou dando meu relato como pai de primeira viagem, como alguém que está construindo uma família, que é ser humano e que também vai errar. Eu poderia, nos momentos em que estava em casa, ter estado mais próximo da minha mulher. Poderia ter ido ao cinema com ela, ficado abraçado, tentado distraí-la ou chamar a atenção dela de outra forma”, garante.

Nattan afirmou ainda que a experiência lhe trouxe aprendizados importantes e que mudaria várias atitudes caso voltasse a viver a situação. “Hoje, se eu tivesse a oportunidade de ter outro filho, faria muita coisa diferente. Estou dando o meu relato como alguém que passou pela paternidade sem referências, que teve acertos e erros, e tentando ajudar outros pais a não cometerem os mesmos erros. Mas fui mal interpretado, como se eu não pudesse errar também”, lamenta.

Apesar das críticas recebidas nas redes sociais, o artista reforçou seu apoio a Rafa Kalimann e elogiou a repercussão da produção entre mães que se identificaram com os relatos apresentados. “Eu torço muito pela Rafaella e estou ao lado dela. O documentário está muito especial. Acho que a mensagem que ela quer passar está chegando às mães que estão assistindo. Nós abrimos um pouco da nossa intimidade para mostrar isso de forma muito real. Para que as pessoas assistam e pensem: ‘Eu também vivi isso’. Espero que quem assistir leve isso para o coração e como aprendizado”, se anima.




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