segunda-feira, 29 de junho de 2026

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Por: Heloísa Cipriano, Portal Leo Dias

A atriz Paolla Oliveira usou as redes sociais neste domingo (28/6) para fazer um desabafo. Ela revelou que tem sido alvo frequente da criação e da circulação de imagens e vídeos falsos produzidos por Inteligência Artificial (IA), muitos deles de cunho íntimo. A artista afirmou que precisou transformar o combate a esse tipo de conteúdo em uma rotina. Logo no início do vídeo, ela relatou a dimensão do problema. “Tem fotos minhas na internet que eu nunca tirei. Vídeos meus falando coisas que eu nunca disse. Um corpo circulando por aí com um rosto em cima que não é o meu”, contou.

Segundo a atriz, a situação se tornou tão recorrente que hoje faz parte do seu dia a dia. “Mas isso pra mim já virou uma rotina. Toda semana eu tenho que falar com um advogado. Eu que tenho condições de ter um advogado, coisa que a maioria das mulheres desse país não têm. Agora, eu não acho que isso é problema de famosa”, explicou Paolla.

Apesar de ser uma figura pública, a artista fez questão de destacar que o problema ultrapassa o universo das celebridades. Para ela, qualquer mulher pode ser vítima desse tipo de violência digital. Como exemplo, citou o caso de uma jovem que publica uma foto comum nas redes sociais e, no dia seguinte, encontra uma versão adulterada de seu corpo circulando pela internet sem qualquer consentimento.

Durante o pronunciamento, a atriz demonstrou preocupação especial com meninas que ainda estão formando sua identidade e aprendendo a lidar com o ambiente digital. Ela questionou como será o impacto psicológico para adolescentes que podem abrir o celular e encontrar imagens falsas de si mesmas, com seus corpos modificados, expostos ou até mesmo substituídos por montagens produzidas por IA. “Vamos combinar, a tecnologia não inventou esse abuso, mas ela deu velocidade, deu alcance, deu essa aparência assustadora que a gente tá vivendo agora”, disse.

Outro ponto levantado por Paolla é a relação entre imagem e credibilidade feminina. Segundo ela, ainda existe uma cobrança para que mulheres tenham sua reputação baseada na aparência, justamente em um momento em que qualquer imagem pode ser fabricada digitalmente.

A atriz contou que também está aprendendo sobre os impactos da IA, mas fez um apelo para que as pessoas passem a questionar conteúdos sensacionalistas antes de compartilhá-los. “A vergonha nunca é de quem foi exposta, então denuncie. A gente precisa duvidar, aprender a duvidar. Viu uma imagem absurda de uma mulher? Desconfia, não compartilha, pergunta de onde veio, até porque cada compartilhamento nosso é uma escolha”, alertou.

Embora o debate atual envolva as ferramentas de IA, a relação de Paolla Oliveira com a exposição pública não começou agora. Desde que ganhou projeção nacional na televisão, especialmente a partir dos anos 2000, a atriz passou a conviver com intensa perseguição de fotógrafos. Ao longo da carreira, momentos de férias em praias, viagens, ensaios para o Carnaval e até situações cotidianas foram registrados e amplamente divulgados, muitas vezes sem seu controle.

Agora, segundo ela, a tecnologia elevou o cenário a um novo patamar: não é mais necessário sequer que uma fotografia exista para que uma imagem falsa circule como se fosse verdadeira.

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